O aparelho promete identificar células cancerígenas durante as cirurgias oncológicas

Imagem: Pexels

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Em maio deste ano uma cientista brasileira desenvolveu um dispositivo em forma de caneta capaz de detectar células tumorais. E o melhor, em apenas poucos segundos. A dona da invenção é Livia Schiavinato Eberlin, que há quatro anos iniciou os estudos sobre o objeto.

Inicialmente houve um estudo de um dispositivo que fosse capaz de extrair as moléculas de tecido humano e apontar no material analisado a presença de células cancerígenas. Apesar de ainda estar em fase de testes, a máquina teve resultados promissores ao ser analisada em 800 amostras de tecido humano.

A caneta foi batizada de MacSpec Pen e tem como objetivo principal certificar durante cirurgias de caráter oncológico que todo o tecido tumoral foi removido com sucesso do corpo do paciente. Por se tratar de uma cirurgia delicada, não é sempre que é possível visualizar a olho nu o limite entre o tecido saudável e o canceroso.

Os processos atuais para análise de tecido precisam ser feitos por um patologista durante a cirurgia, e levam cerca de 30 a 40 minutos. Enquanto isso o paciente precisa ficar exposto a riscos cirúrgicos e a anestesia. A caneta desenvolvida por Livia vem justamente para assumir o papel do patologista, reduzindo muito o tempo de resposta sobre a existência de tecido tumoroso ou não.

A caneta possui um reservatório preenchido com água e, quando sua ponta toca o tecido, capta moléculas deste que se dissolvem na água e são transportadas para um espectrômetro de massa, que fica responsável por caracterizar a amostra como cancerosa ou não, maligna ou benigna. A possibilidade dessa constatação é possível graças à tecnologia utilizada, além dos equipamentos para a análise química e também técnicas de inteligência artificial para a máquina fazer a identificação.

Na criação da tecnologia, foi utilizada uma espécie de machine learning, um aprendizado da máquina, que recebeu centenas de amostras de tecidos cancerosos que a ensinaram, por meio de suas características, a identificar o tecido doente. Já na primeira fase da pesquisa uma precisão de 97% foi alcançada.

O dispositivo já foi testado em cânceres de cérebro, ovário, tireoide, mama, pulmão e está começando a ser utilizado também em pesquisas de tumor de pele. Caso a técnica se mostre eficaz neste último, pode significar que não precisará mais ser feita a remoção de uma parte do tecido para identificar se pintas e lesões são malignas.

A importância do aparelho no processo cirúrgico é o cirurgião ser capaz de retirar todo o tumor, já que as taxas de cura estão diretamente relacionadas a isso. A limitação de cirurgias oncológicas, atualmente, é essa identificação de que todo o tecido canceroso foi retirado ou não.

Nem todos os hospitais podem contar com um patologista na equipe cirúrgica para que a análise do tecido removido seja feita ainda durante a operação. Isso significa que em casos em que o profissional não esteja disponível a chance da operação precisar ser feita novamente é maior.

Os benefícios estão diretamente ligados às vantagens para o paciente, já que haveria uma redução no tempo da cirurgia de forma indireta, por não haver a necessidade de um patologista na operação para analisar os tecidos. Pacientes mais idosos e aqueles que possuem doenças crônicas são muito favorecidos, porque eles tem maiores riscos durante o procedimento cirúrgico.

 

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