A balança virou, o país que até pouco tempo lutava para combater a fome, agora precisa frear a obesidade.

Imagem: Shutterstock

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Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde apontou que houve um aumento de 60% da população acometida pela obesidade ou sobrepeso nos últimos 10 anos. A cada 5 brasileiros, um está na condição de obesidade, e mais da metade está acima do peso ideal. Especialistas relacionam o problema a questões culturais, econômicas, genéticas e hormonais.

Recentemente o Brasil conseguiu superar a fome, obtendo níveis inferiores a 5% desde o ano de 2014, quando o país deixou o ranking da fome estabelecida pela ONU, junto a tal conquista, encara-se um período de aumento da obesidade e sobrepeso entre os brasileiros. Situação essa que gera impactos negativos na qualidade da saúde dos indivíduos,passando a ser prioridade para as autoridades responsáveis.

Novos padrões alimentares

Para o diretor do Centro de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Cláudio Mottin, a tendência de aumento da obesidade pode estar relacionada às mudanças de hábitos na alimentação desde os anos 70. “Com pouco tempo para comer, as pessoas deixaram de fazer as refeições em casa e passaram a optar por comidas mais rápidas e mais calóricas”, afirma ele em entrevista realizada pela BBC.

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Como apontado por Cláudio, essa mudança de hábito também aparece na pesquisa do sistema de vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico (VIGITEL), que faz parte das ações do Ministério da Saúde para estruturar a vigilância de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no país, em que aponta que o consumo regular do alimento básico na dieta do brasileiro, o feijão, caiu de 67,5% em 2012 para 61,3% em 2016. Outro fator diagnosticado é que apenas um entre três brasileiros adultos consomem frutas e hortaliças em regularmente durante a semana.

Observou-se também que o crescimento dos índices de obesidade no país coincide com o aumento do poder de compra dos brasileiros. A pesquisa do instituto Data Popular apontou que renda da classe média, de 56% da população subiu para 71% em 2015, sendo a renda dos 25% pertencente a classe mais baixa obtendo o maior aumento em relação às outras classes.

Riscos à saúde

O crescimento da obesidade pode estar relacionado ao crescimento das doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, que afetam a qualidade de vida dos brasileiros e, inclusive, pode levar à morte. Segundo a pesquisa da VIGITEL, ainda, o diagnóstico da doença diabetes passou de 5,5% em 2006 para 8,9% em 2016 e o de hipertensão de 22,5% em 2006 para 25,7% em 2016.

Cláudio Mottin destaca que a obesidade é a mãe das doenças metabólicas. “Além da diabetes, que apresenta mais de 20 fatores de comorbidade (doenças ou condições associadas), obesos infartam mais e até câncer é mais prevalente em pessoas acima do peso”, comenta.

Estima-se que as doenças cardiovasculares, respiratórias, diabetes e câncer correspondem a 74% dos óbitos, por ano, no Brasil. O Ministério da Saúde pretende reduzir essas taxas em 2% ao ano até 2022.